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Um mundo em imigração

As imigrações internacionais marcam o momento contemporâneo em que vivemos, atualmente é possível às pessoas mudarem de um país para o outro mantendo a sua própria cultura

As imigrações internacionais marcam o momento contemporâneo em que vivemos, atualmente é possível às pessoas mudarem de um país para o outro mantendo a sua própria cultura. Com certeza estes movimentos devem cada vez mais ser questionados pelos Estados e pelas sociedades, em vista de determinadas expressões culturais regionais, e pelo próprio conceito de cidadania ou de pertencimento a uma determinada sociedade.

Dilemas provocados pelas imigrações atingem praticamente todos os países, com exceção a alguns famigerados países africanos, para onde ninguém tem interesse de ir. Surgem assim grandes debates, como nos Estados Unidos, quanto à questão, principalmente dos latinos, na Europa com a imigração muçulmana, existem até estudos que demonstram que pela comparação do crescimento da população muçulmana [que possui maior número de proles], em comparação com os europeus, em breve a Europa, tornar-se ia uma nação predominantemente muçulmana.

Imigração na Europa

Em muitos países europeus, começam a existir leis e testes para verificarem se os estrangeiros possuem condições de absorverem os valores da sociedade a qual pretende viver, uma delas seria a obrigatoriedade do conhecimento do idioma nacional. Os cidadãos destes países estão cada vez mais preocupados com os impactos no equilíbrio étnico e com a coesão social dentro de suas fronteiras e a suas culturas.

A questão econômica da imigração

Apesar de todas as objeções, à imigração têm que ser vista com cuidado, pois muito do desenvolvimento econômico e dos serviços essenciais são prestados por imigrantes nestes países que apresentam muitas vezes níveis de fecundidade muito baixos e alta especialização tecnológica que lhes impõe limites, e para manterem o seu crescimento econômico, seus serviços essenciais e seu bem-estar, precisam contar com essa parcela imigrante.

direcionesIsso tem ocorrido, em boa medida, porque a imigração no mundo atual é um pouco diferente da que ocorria nos séculos anteriores. Muitos imigrantes que vieram para o Brasil nos séculos anteriores ou de tinham a perspectiva de permanecer pouco tempo no país [o necessário para fazer fortuna] e tinham pouco, ou nenhum interesse, em se assimilarem ou se tornarem cidadãos locais. Muitos acabavam por fazê-lo, especialmente no tocante aos seus filhos nascidos no novo país, mas não era a regra geral. Já naquela época existia a ideia de identidades múltiplas.

Nos últimos anos, contudo, com o processo de globalização e a melhora do sistema de comunicações e transportes globais, essa situação se transformou radicalmente. Para os atuais imigrantes do Sul do Brasil que se dirigem aos Estados Unidos podem fundar um CTG (Centro de Tradições Gaúchas) em Nova York, ou morar na gelada Islândia, mantendo um blog sobre brasileiros que lá residem. Além das tecnologias digitais, a possibilidade de evitar a assimilação da nova cultura, é facilitada pela capacidade de deslocamento, assim os imigrantes podem ficar indo e voltando entre seus países de origem e os de destino. Além disso, esses novos imigrantes são raciais e culturalmente falando, muito mais diversos do que os antigos, o que aumenta o potencial para conflitos e tensões dentro dessas sociedades.

É óbvio que a solução, aqui, é aceitar o pluralismo cultural. Tudo seria mais fácil se os povos dos países de imigração aceitassem o fato de que os imigrantes não são como eles e que a chegada dos “diferentes” poderá colaborar para o enriquecimento da cultura e da economia local.

No entanto, é utópico imaginar que os países que acolhem imigrantes não possam ter regras sobre quantos e quais imigrantes serão aceitos e sobre quais serão as regras mínimas de convivência entre todos. Nenhum país do mundo pode ter uma política de abertura total aos fluxos imigratórios globais, isso poderia implicar num deslocamento populacional maciço, a não ser, claro, aqueles países africanos miseráveis para onde ninguém quer ir, muito menos uma política de multiculturalismo absoluto, como se cada comunidade pudesse viver com suas próprias regras embaixo da mesma bandeira.

A responsabilidade dos países

O vai e vem das pessoas entre os vários Estados também leva a questionamentos sobre a questão da cidadania. Em 2006, as tropas canadenses durante o último conflito do Líbano foram deslocadas para o resgate dos cidadãos canadenses lá residentes. O problema levantado na época, era que alguns desses cidadãos eram filhos de libaneses nascidos no Canadá e que tinham ido para o Líbano quando crianças. O questionamento era: o Estado canadense tinha a obrigação de resgatá-los? O mesmo não se aplicaria a canadenses que moravam há décadas em New Orleans durante a passagem do Katrina? O mesmo aconteceu recentemente ao Brasil na questão Bolívia, onde a FAB deslocou aviões para remover brasileiros que lá se encontravam, e muitos dos que “escaparam” eram brasileiros ou descendentes de brasileiros que migraram para o leste Bolívia e tornaram-se parte daquele território. Por que então não recolher os dekasseguis brasileiros que estavam no Japão no momento do terremoto em que ocorreu o acidente de Fukushima? Portanto é dever do governo brasileiro, justamente durante os acontecimentos como o do Líbano, Lousiana, Bolívia ou Japão resgatar pessoas que, mesmo com passaporte brasileiro, estavam longe do Brasil há muito e, muitas vezes, nem tinham vivido aqui?

Em termos jurídicos, pode se afirmar que o dever existia. Mas a transformação da cidadania, que se caracteriza, ao menos em teoria, na participação política, pagamento de impostos, vivência no país do qual se desfruta a cidadania e certo senso de pertencimento e patriotismo em um direito que pode ser usufruído a distância, através da dupla cidadania ou da posse de um passaporte estrangeiro, complica bastante as coisas.

Essas questões jurídicas não são exatamente novas, mas refletem os problemas de um mundo em movimento, no qual pessoas com múltiplas identidades culturais, étnicas, jurídicas e mesmo nacionais circulam e convivem entre si, gerando demandas e questionamentos por parte dos Estados.

Imigração na Alemanha

ViagensA Alemanha, já é de longa data, um país receptor de imigrantes, mas ainda tem problemas para se entender como tal, muitos descendentes de estrangeiros, mesmo nascidos em terra germânica, são obrigados a abdicar da nacionalidade de origem para ter a alemã [o mesmo não acontece aos brasileiros]. Partidos políticos e especialistas defendem a regularização da dupla cidadania lá, pois a política de imigração, definida, sobretudo por governos conservadores, exige dos estrangeiros e seus filhos uma lealdade à Alemanha documentada no passaporte. Entre as razões para isso estão um temor, muitas vezes velado, da formação de guetos e das chamadas “sociedades paralelas”.

Outro fator de grande importância é o de que segundo as agourentas previsões, dezenas de milhões de pessoas serão forçadas a abandonar as suas casas e as suas terras, devido a secas e inundações relacionadas com as alterações climáticas, o que pode tornar as migrações internacionais [e já tem se tornado] em uma situação exponencial para muitos governos.

Nenhum país do mundo pode ter uma política de abertura total aos fluxos imigratórios globais [a não ser, claro, aqueles miseráveis para onde ninguém quer ir] ou uma política de multi-culturalismo absoluto, como se cada comunidade pudesse viver segundo suas próprias regras. Realmente, ao habitar um novo país, o cidadão deve ter todo o direito de manter a sua cultura, mas também deve estar pronto a aceitar minimamente as regras da maioria, tanto no aspecto jurídico, como na convivência cotidiana. Duas palavras são chaves neste processo, a tolerância por parte dos Estados e sociedades e o esforço de inclusão pelos próprios imigrantes.

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