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Pra lamentar os parlamentares?

Acho que o maior lamento que devemos ter por estes dias é o da atitude de omissão de nosso povo frente à política e sua costumeira postura de vítimas daqueles os quais empregamos no Senado e nas Câmaras como nossos representantes. Quem deu poder a estes empregados de votarem seus próprios salários fomos nós, quero desculpar-me aqui por usar a expressão “nós”, pois sei que uma pequena parcela da população vota conscientemente, diante de outra parcela que vende seus votos, e outra que é simplesmente ingênua e acaba sendo arrastada pela mídia e troca seu voto por nada ou por algumas miçangas, espelhos, ou qualquer coisa que pareça brilhar; olha quem coloca estas pessoas sem preparo ético para o cargo o qual exercem, fomos nós; quem não exige um diploma de formação superior, mestrado ou doutorado, quem não cobra mais, ou o mínimo, como o que seria exigido por qualquer empresa mediana para um cargo desta responsabilidade somos nós eleitores; quem elege palhaços, poposudas acéfalas e analfabetos para votarem temas e leis complexas; que afetam o nosso país, e o mundo; tornam-se vitimas e depois se calam, resmungando pelos cantos, fazendo pequenos protestos, como este que você está lendo, e no final das contas acaba resignado, aceitando os fatos, sem maiores esforços. Somos nós. Nunca tivemos neste país coragem para levar até as últimas conseqüências, o comodismo está em nosso sangue. Assisti recentemente um médico inglês dizendo que se o governo britânico tentasse fazer qualquer mudança nas políticas públicas de saúde o povo provocaria uma revolução, e assim vemos na Inglaterra e na Itália os estudantes recentemente provocando grandes e fortes manifestações, os trabalhadores franceses contra as reformas na sua previdência, ou os gregos diante das medidas de austeridade; eles não se calam, lutam e tornam-se dignos de méritos maiores. Olha o mais cruel que tenho que admitir ainda é que nossos parlamentares ganham muito pouco, tamanha é a omissão que eles precisam ter diante do descaso com sua população.

O que nos salva é saber que a maior parte do eleitorado está feliz, não está nem aí, vivendo perfeitamente, pelo desenrolar dos fatos somente uns poucos realmente parecem estarem descontentes, pois a corja eleita, de palhaços, mulheres frutas, cantores sertanejos, bichas-loucas, políticos dinossauros caquéticos e filhos de políticos, representa os anseios populares e refletem a vontade do povo.

 Citei alguns eventos europeus de insatisfação a pouco, claro o extremismo, ou os golpes de violência não revolucionam tanto e ademais prejudicam a muitos, o que precisamos é de uma revolução interna, de uma chamada, a si mesmo e de cada um de nós, de responsabilidade e compromisso como o próximo e com o legado para as futuras gerações. A medida em que cada um se posicione, que vão se organizando pacificamente e dentro da legalidade, pode ser que inicie um movimento de mudança, quem sabe não especificamente a mudança, mas de preconização do respeito. A principal luta não é contra “eles”, o verdadeiro inimigo está dentro de cada um de nós, seja: a ignorância, a omissão e a descrença, entre outros e isto se observa claramente: as pessoas no poder mudam, mas o comportamento é o mesmo. O problema não são as pessoas em si, mas o tipo psicológico que insistimos em manter no poder, perpetuando esta situação de país do futuro, que é acaba sendo a terra do nunca. Para começar exija uma nova postura de nossos representantes, construamos o país do AGORA.

 Isto é possível, e um exemplo de iniciativa individual, recente foi o de um bispo cearense, Dom Manuel Edmílson, amplamente noticiado; ele abriu mão de toda a vaidade, e dos enredos do ego, não se vendeu por miçangas ou espelhos, mostrou-se ético e integro, e resistiu a adulação e bajulação, quem sabe não receba apoio nem dentro da instituição a qual faz parte. Porém não compactuou com os atos inconscientes dos “pralamentares” como ele os chama. O Bispo recusou nesta terça-feira (21/12/10) de receber uma comenda do Senado Federal. Ele afirmou que sua atitude era para protestar contra o aumento salarial de 61,8% aprovado pelos parlamentares em causa própria. A homenagem que ele recusou era a Comenda dos Direitos Humanos Dom Helder Câmara. Ele recusou o agrado em um discurso no próprio plenário do Senado, criticando no momento os parlamentares por aprovarem o aumento salarial. “Quem assim procedeu não é parlamentar, é para lamentar”, disse o religioso.

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