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O EU ECONÔMICO HISTÓRICO – COMPÊNDIO

Refletindo uma recente conversa com um amigo militar, que esta prestes a deslocar-se para o Haiti, na missão organizada pela ONU, o mesmo me fez alguns comentários da situação haitiana observada em uma recente visita aquele país. Sabemos que não bastando a inoperância governamental e o caos reinante, a alguns meses atrás este território caribenho foi também sacudido por um terremoto, a intensidade pode não ter sido das maiores, mas devastou o já esculhanbado país, diante disto a ajuda internacional providenciou alguns abrigos para atender o contingente afetado pelo tremor. Porém passado já alguns meses o comodismo e a falta de iniciativa que cerceiam este povo o impediram de ir juntar os escombros e reconstruir suas casas, continuam lá atirados nos abrigos que mais parece um campo de refugiados, e assim vão blasfemando contra tudo e contra todos. Na mesma conversa fizemos um comparativo com situações parecidas que ocorreram no Rio Grande do Sul, embora de menor intensidade, mas que uniu a população na reconstrução. E através disto discorremos em fatores como de colonizadores e colonizados.

Bom, um dos problemas encontrado ao extremo no Haiti, desenvolve-se por toda a América Latina, porção continental onde criou-se uma espécie de reação aos vencedores, evidenciando doutrinas da dependência, a sua mais bem sucedida exportação. Estas doutrinas são venenosas para a consciência e a moral. Elas instigam uma mórbida propensão para atribuir as culpas a todos menos aqueles que as denunciam, essas doutrinas promovem a ineficiência econômica. Enxergam os defeitos nos demais, porém não são capazes de se observarem, fato comum nos países latino-americanos que foram sendo criados.

Crítico a América Latina. Mas e o resto do mundo? Bem, o isolacionismo tornou-se sinônimo de China. Redondo, completo, aparentemente sereno, inefavelmente harmonioso, o Império Celeste no oriente prosseguiu ronronando durante quatrocentos anos mais, impenetráveis e imperturbáveis. Mas o mundo continuou a avançar, deixando-o de lado. Para os índios americanos e para os aborígenes tasmanianos, foi o apocalipse, um terrível destino “imposto de fora”. Já nos Estados Unidos, destacaram-se as vantagens naturais do país, mas o epicentro do desenvolvimento encontra-se na sociedade de pequenos proprietários rurais e trabalhadores relativamente bem pagos, não foi uma cultura de colonialismo para exploração como no restante da América, os Estados Unidos eram um viveiro de democracia e iniciativa. Como existia uma igualdade, gerava um alimento para o amor-próprio, a ambição, a disposição e coragem para ingressar e competir no mercado, um espírito de individualismo e de disputa, marcados pela ética protestante e o espírito do capitalismo que Max Weber desenvolveu que, entre outras façanhas, desdobrou-se no sistema de produção em massa. Já em 1870 os EUA tinham a maior economia do mundo e os melhores anos estavam ainda para vir.

Outro exemplo a ser citado é, o do Japão, um país que mal encontrou os europeus e aproveitou-se disto, tratou de aprender e aprimorar os seus métodos. Mas aí, mais uma vez, foi o substrato cultural dos seus naturais que fez a diferença. O Japão, a exemplo dos EUA, não teve o calvinismo, mas os seus homens de negócios adotaram uma ética de trabalho semelhante. O segredo está mais no compromisso com o trabalho do que com a riqueza. Por isso, mesmo sem uma revolução industrial européia, os japoneses desencadearem a sua.

O pêndulo do relógio que rege os destinos do mundo em sua alternância, fez com que a Inglaterra começasse a dar sinais de cansaço e acomodação após ser a bam-bam-bam da revolução industrial, e então temos uma transição da primeira para a segunda revolução industrial, onde a França e a Alemanha aparecem finalmente como jogadores de primeiro plano. O conformismo é fatal e foi por isso que os ingleses, que demonstravam serem teoricamente mais bem preparados para enfrentar os desafios da indústria química ou automobilística, ficaram para trás e acabaram ultrapassados. Os franceses, até aí retratados quase caricaturalmente pelo seu chauvinismo, mostram por fim os seus trunfos adentrando no embalo da nova semi-revolução. Os Alemães tornam-se um das maiores economias do mundo e mesmo sendo destruídos e roubados na primeira Guerra e novamente destruídos e eternamente condenados na segunda, reconstruíram uma das três potências da econômica mundial (até o desbanque recente pela China), um exemplo em estabilidade, dinamismo e engenhosidade. E como corolário lógico da receita segundo a qual o mercado, a disciplina, a ética do trabalho compensam, surgiram depois dos anos 60 os tigres asiáticos, e assim a maior prova de que o subdesenvolvimento não é uma condenação “ad eternum”, tanto moldada nas mentes latino americanas. Embora em 1997 a crise do sudeste asiático abalou a economia mundial, os tigres seguem vorazes.

Os nossos vizinhos argentinos são um exemplo bom a serem citados. Existem claro muitos fatores relevantes para o desenvolvimento de uma nação. A Argentina e os Estados Unidos estavam no século XIX entre as dez maiores economias do mundo, mas diferentes decisões fizeram com que trilhassem caminhos opostos. Nossos vizinhos continuam ostentando parte do espírito de outrora, porém tanto quanto nós continuamos criticando demasiado os externos e não corrigindo os próprios defeitos.

Não quero esboçar conclusões moralmente repugnantes, nem me interessa defender os métodos estadunidenses hoje impostos, até mesmo porque sou veementemente contrário a eles. Nossos países latino-americanos seguem sempre buscando culpados, sejamos Haiti, Venezuela, Argentina, Honduras, Brasil ou qualquer outro, precisamos sempre culpar ao outro por nossa incompetência.

O Trabalho árduo é o melhor método de auto-ajuda. O mundo tem reproduzido uma falácia de pensamento, até mesmo uma falsa economia, ao considerar que o estágio de desenvolvimento de um país depende de variáveis como religião, geologia, hidrografia, clima, entre outros. Não que estes fatores não exerçam influencia, com certeza exercem, porém o fator determinante são as pessoas. Quem sabe precisamos de um pouco de ousadia na forma de vermos a história econômica do mundo e desenharmos os próximos séculos, fugindo do danoso ato de condenar os demais por nossos problemas e sim desenvolvermos nossas pessoas.

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