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Morrer para tornar-se Humano

Por Odair Deters

Mais um da minha retrógrada coleção de escritos.

A maioria da humanidade está num estado contínuo de ansiedade interior, demasiado ocupados garantindo sua própria sobrevivência ou lutando por ela, com uma forte situação de insegurança, angústia e terror, de maneira que as pessoas chegam a sentir-se tão exaltados que peçam aos gritos uma solução, qualquer que seja.
O potencial do trabalho em equipe na educação e no âmbito trabalhista, de maneira que as pessoas se acostumam a renunciar a suas próprias idéias em beneficio do grupo, faz com que cada vez sejam menos os que defendem o pensamento individualista e crítico. Chegando assim a uma situação em que alguns se tornam “monstros solitários” e começam a sentir-se envergonhados de sua existência.
Como efeito da perda da condição de indivíduo, para cooperar com o “todo”, criam se reféns do sistema. Pessoas que alimentam o EGO e fogem de si mesmas, não existindo auto-observação, passando unicamente a satisfazerem suas próprias vontades influenciadas por poderes visíveis e invisíveis. A tal civilização moderna é espantosamente débil, não possui características transcendentais, o espiritual virou comércio e os seres tornaram-se desprovidos de beleza interior, tudo isto com um toque de manipulação subliminar.
As crises empresariais e econômicas, os conflitos de todas as espécies são unicamente o reflexo da sociedade e este é o reflexo do individuo nela, pois o individuo é a representação da sociedade em escala menor.
Abundam hoje os “mestrezinhos” empresariais, sujeitos aqueles que ganham a vida fazendo palestras motivacionais para indivíduos que tem um enorme vazio interno e tampouco se dão conta de que a motivação não parte do externo, não parte dos outros, são estes incapazes de ouvir seu mestre interno, sua intuição e caminharem com seus próprios pés. Precisam entender estes que estão “ocos” por dentro e que precisam mudar, tornarem-se lideres, mas lideres de si mesmos e assim contribuírem com o seu exemplo para os demais, não apenas serem lideres de fachada ou tomadores de decisões administrativas, precisam ser diferentes do que se chama de humano hoje em dia, para serem humanos verdadeiramente.
E todos que dão se conta de que caminham equivocadamente, precisam morrer. E este morrer não é a ausência de vida, e sim entender que existem outros tipos de morte, e precisamos morrer todos os dias. A morte nada mais é que uma passagem. Uma transformação. Não existe planta sem a morte da semente, não existe a borboleta sem a morte da lagarta, isto tudo nada mais é do que o ponto de partida para o inicio de algo novo. E no aspecto individual esta morte começa com as inquietudes íntimas, se as mesmas, quando surgirem forem avivadas, não há duvida que com o tempo fundamentem a assimilação de uma inteligência única, tornando-se realmente um ser humano.
Necessita-se, com urgência, saber onde estamos situados num momento dado, tanto em relação ao estado íntimo da consciência, como em relação à natureza específica do acontecimento exterior que nos está sucedendo. Ser feliz embora taxado de louco do que em conformidade ver o tempo passar e apenas viver.
Portanto é fator essencial criar no próprio interior uma revolução radical, pelo caminho do auto-conhecimento, morrendo, ou seja, eliminando aqueles defeitos que nos condicionam, sanando a crise de consciência vigente e assim tornando-nos seres humanos, pois não é demonstração de saúde ser bem ajustado a uma sociedade profundamente doente.

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