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Instinto Moderno

A sociedade deriva do sexo e das suas relações reprodutivas. Estas relações reprodutivas formam unidades de trabalho, assim os primeiros bandos tribais humanos mantiveram-se unidos pelos laços entre casais e grupos [afeto e confiança]. Assegurando isto encontramos o ato partilhado, o acasalamento, o relacionamento, e dele irradiando a ternura, o sublime, desdobrado na relação entre casal, filhos, irmãos, tios, avós, e toda a família constituída, ou bando, tribo, população.

instinto modernoA sociedade deriva do sexo e das suas relações reprodutivas. Estas relações reprodutivas formam unidades de trabalho, assim os primeiros bandos tribais humanos mantiveram-se unidos pelos laços entre casais e grupos [afeto e confiança]. Assegurando isto encontramos o ato partilhado, o acasalamento, o relacionamento, e dele irradiando a ternura, o sublime, desdobrado na relação entre casal, filhos, irmãos, tios, avós, e toda a família constituída, ou bando, tribo, população.

Esta população propiciou a formação dos Estados. Desenvolvendo distintas classes a partir do momento em que com a formação de governos [inicialmente bandos invasores] que ao conquistarem um novo espaço/população, provocavam a divisão por classes entre invasor e invadido, privilegiados e carentes, produzindo a condição de pobreza, assentada através da criação das “leis” que garantiriam a perpetuidade da regência pelos invasores.

No instinto humano estão impregnados estes laços de casais e de bandos de mamíferos, buscando garantir a sobrevivência da família a qual faz parte e seu status.

Porém com o crescimento da família a população aumentou, de forma a se desenvolverem os Estados feudais, que vieram a culminar nos Estados capitalistas modernos, onde os laços familiares [tribais] começaram a se deteriorar. Este momento foi o inicio de novas divisões entre as famílias, ao ponto da desconfiança existir praticamente entre todos, ou seja, foi se atrofiando o comportamento tribal, as atitudes do bando, sua confiança, solidariedade, afeto, entre outras características, que provocam por sua ausência uma série de revezes como ansiedades, alienações, frustações, inclusive a própria característica de manutenção da espécie no momento em que vai se perdendo a preocupação da necessidade de deixar sementes heterossexuais.

Parte desta alteração se deu pela necessidade primordial da sociedade capitalista – o dinheiro de papel – pois ele confere hoje a característica maior para a sobrevivência da espécie. Transformou-se no vício moderno. Vicio do qual, caso não ocorra doses regulares, o ser necessitado sofre de ansiedades, traumas, carências, comportamentos desesperados e desesperanças, rouba, mata e uma série de outros transtornos. A segurança outrora existente do bando é trocada pela segurança do dinheiro e a falta dele provoca a exclusão do bando e sua insegurança.

Primitivamente a tribo garantia uma capacidade de sobrevivência muito superior ao de um único indivíduo, e um comportamento que provocasse a expulsão da tribo incorreria no risco da não sobrevivência, o que foi transferido na sociedade moderna [capitalista] para o dinheiro, logo a abstração capitalista propaga o declínio da tribo.

Nas sociedades financeiramente mais ricas, a falta de dinheiro torna o cidadão indigno e vergonhoso perante o bando, nota-se o oposto em sociedades mais carentes onde os laços de bando mostram-se um pouco mais firmes ainda. Evidenciando assim, que todo o puritanismo que o sexo possuía nos séculos anteriores, transformou-se agora em um puritanismo basicamente monetário. Sendo hoje o debate do sexo e suas preferências mais abertamente tratadas do que as questões financeiras individuais.

Este texto não é nenhum tratado contra o capitalismo, apenas tenta-se relacionar a nossa história, no processo de substituição das importâncias [bando x dinheiro] de forma a atender o nosso instinto, deixando de lado a sensação de segurança da tribo em troca da sensação de segurança monetária, no qual inclusive pode ser representado pela segurança social que se torna uma tentativa de falsificação desses laços por parte do Estado [welfare state]. Não sendo também a toa que as oscilações da oferta e a retirada de moeda estão tão epidêmicas na sociedade capitalista em que estamos vivendo, pois atualmente adentrar na pobreza, é o mesmo que tornar-se covarde e incapaz.

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