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Duopólios, e a ilusão da escolha

Por Odair Deters

O estudo dos mercados nos permite identificarmos situações onde determinadas empresas exercem o controle sobre a oferta de uma mercadoria, é comum conhecermos a situação dos monopólios, onde só um vendedor controla toda a oferta de uma mercadoria ou de um serviço, também pode deter o controle exclusivo de uma atividade, porém uma forma menos conhecida, porém bem presente é a dos duopólios, onde existem dois vendedores de uma mercadoria ou prestadores de um serviço, o pior nesta situação é que muitas vezes acabamos iludidos com uma falsa concorrência.

Os duopólios nos dão uma ilusão de haver algum tipo de competição entre as empresas, a ilusão de que nós consumidores temos o poder de escolha, assim logo, entendemos que isto nos parece muito melhor do que se estivéssemos na dependência de um monopólio.

Um Exemplo que podemos utilizar para elucidar este sistema seria o da antiga União Soviética, imaginamos neste caso a Rússia socialista, que tinha o símbolo comunista da foice e do martelo e o vermelho como cor única. Digamos que os lideres da época resolvesse dividir-se entre os que seguiam o martelo usando a cor vermelha e um outro grupo, defendendo os ideais da foice, que digamos seriam os de cor verde, logo teríamos a população dividida entre os que são os verde e os que são os vermelhos, todos lutariam ferrenhamente por seus ideais, porém no final ambos os idéias iriam concorrer para o mesmo objetivo, pois recordamos que em nossa suposição os lideres resolveram apenas dividir o ideal comunista em duas frentes, que parecessem antagônicas, porém inconscientemente cooperariam para o mesmo fim.

Neste mesmo modo, temos como exemplo a clássica luta entre Coca-Cola e Pepsi, parece que quando escolhemos um destes refrigerantes, em detrimento renegamos o outro, nos valorizamos pelo nosso poder de escolha, quando infelizmente estamos condicionados por um duopólio, e temos nosso poder de escolha limitado, o mesmo ocorre nos tradicionais fasst-foods, onde notoriamente temos duas grandes redes o MacDonalds e o Burger King.

Através da Teoria dos Jogos, que trata-se de uma ferramenta matemática que modela fenômenos observados quando dois ou mais agentes de decisão interagem entre si, muito comum na economia, utilizando o seu conceito do equilíbrio de Nash, onde modelamos matematicamente estes fenômenos, passando a compreender como certas decisões são tomadas, principalmente quando passa a envolver ganho ou perdas para os jogadores, é possível interpretar os modelos de duopólios, analisando assim as decisões referentes a quantidades a serem produzidas e preços a serem cobrados. Sendo que cada empresa deseja que seu lucro seja o máximo em relação à decisão da outra empresa, é possível prever que a decisão de cada uma será manter uma concorrência visando dominar o mercado. Podemos concluir através desta análise que os duopólios surgem da cooperação, são duopólios com horizonte finito, bastando para isso que exista uma possibilidade de que a empresa concorrente não se comporte de forma racional, preferindo seguir uma regra prática com resultados comprovados.

Embora a demonstração pareça arriscada para uma grande empresa, a existência dos duopólios estendem-se em diversas áreas e atividades, e os consumidores ficam numa placitude em relação a isto. No Estados Unidos a briga parece já um pouco mais acirrada onde grandes conglomerados sofrem maiores pressões em relação aos duopólios, que são os casos como Coca-cola x Pepsi, MacDonald’s x Burger King, At&t x Verizon, ou o alvoroçado caso da News Corp, uma das gigantes da mídia, a empresa passou a criar duopólios, grupos de duas estações de TV em cada cidade, economizando custos e deixando a atividade mais lucrativa.

No Brasil, temos recentes discussões como às das marcas Nestea e Matte Leão que estavam ambas com a Coca-Cola, formando assim um monopólio, porém o retorno da Nestea para a Nestlé, nos mantém ainda num duopólio, temos também no Brasil, duopólios marcantes em setores como o de cervejas, editoras de revistas, canais públicos de televisão, cartões de crédito e empresas aéreas, neste ultimo segmento, já se originou discussões no senado, pois segundo alguns senadores o duopólio da aviação exercido pela TAM e pela Gol, causam um abandono da aviação regional, deixando várias cidades importantes do país sem transporte aéreo.

Outro embate grande, originou dos lojistas gaúchos, por meio do CDL de Porto Alegre, devido a hegemonia desleal das bandeiras Visa e Mastercard, que controlam 90% do mercado brasileiro de cartões de crédito, enquanto que outras marcas como os cartões gaúchos, Banricompras, do Banrisul, e VerdeCard, das Lojas Quero-Quero, e mesmo o Hipercard, do Unibanco não tem vez contra o duopólio que predomina nacionalmente, ficando o cliente preso a taxas de juros de grande exorbitância.

Como economia e política tem direta ligação, não podemos esquecer, que assim como no mercado acreditamos que temos poder de tomada de decisão, quando na verdade somos conduzidos a adquirir produtos de uma cooperação ente os dois rivais, o mesmo estendemos para o paradigma político, seja dos republicanos e democratas, comum na mídia que acompanha as decisões dos EUA, ou mesmo aqui em nossa terrinha, pois é mais fácil ver o cisco no olho alheio do que a viga em frente aos nossos olhos, sendo assim, muitas vezes vemos os eleitores nos Estados Unidos, limitados por dois partidos políticos, e não nos damos conta que sofremos do mesmo mal, ao termos sempre uma escolha de direita ou uma de esquerda, ou seja, a estruturação comum da política foi retirada do mundo comercial, do mundo corporativo e do mundo dos negócios. Infelizmente o fato da escolha praticamente inexiste, não existe justiça social, a política como a conhecemos é controlada por um único senhor, um mestre que em cada uma das mãos tem uma marionete, a da esquerda e a da direita, sendo como nos mercados, a existência de dois vendedores de uma mesma mercadoria ou serviço.

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