Conteúdo e informação

A SOCIEDADE DO CONHECIMENTO

Por Odair Deters

1. INTRODUÇÃO
A economia mundial vem sofrendo mudanças constantes. O conhecimento passa a ser responsável por mais da metade da riqueza gerada no mundo, alterando todos os processos tradicionais. A sociedade industrial passa a se tornar uma nova sociedade, modificando os fatores de produção, abrindo precedentes para que países subdesenvolvidos como o Brasil, possam igualar-se a países desenvolvidos, ou afastar-se ainda mais destes, a ponto de criar um abismo quase intransponível entre os mesmos.
Esta sociedade já concebida altera os padrões estabelecidos, muda o eixo-econômico, destina um futuro que pode ser descrito, mas ainda não garantido. Passando a valorizar o capital humano, e provocando profundos debates sobre sua capacidade de sustentabilidade. Estamos diante de uma nova sociedade: A Sociedade do Conhecimento.

2. A NOVA SOCIEDADE
Estamos vivenciando um processo de profunda transformação global, através de mudanças tecnológicas, econômicas e sociais. “Enquanto os países do terceiro mundo passam pelo processo de industrialização, as economias desenvolvidas da Europa Ocidental, América do Norte e Japão são rapidamente transformadas em economias pós-industriais baseadas em conhecimentos”.(Assunção/2006).
“O conhecimento é o novo motor da economia mundial” (Cavalcanti/2006). Alterando toda a estrutura social até então predominante, expandindo o comercio de bens intangíveis conforme estudo realizado pelo Banco Mundial, para alertar os países em desenvolvimento sobre a importância do conhecimento como fator gerador de riqueza.
Um novo modelo de estrutura social, em que a educação é avançada, as fontes de informação ilimitadas, desenvolvendo uma igualdade virtual entre as pessoas, aprimorando as empresas prestadoras de serviços, fomentando novas criações tecnológicas, e a garantia de um maior bem-estar social. Provoca um revés discutível, que questiona se estamos caminhando para um mundo sustentável, ou um dominado por elites, no qual exista violação de privacidade, e se necessite um aprendizado contínuo, deixando uma parte da sociedade marginalizada e incapaz de acompanhar os processos evolutivos, pois a tecnologia se torna obsoleta muito rapidamente.
“A informação e o uso da tecnologia são fundamentais para o progresso das empresas”(Cavalcanti; Gomes; Pereira/2001). E assim consequentemente dos países, para isto, estes devem fomentar políticas fundamentais que desdobrem-se em eixos prioritários e medidas, assim como tem feito a União Européia, com seu “Programa Operacional da Sociedade do Conhecimento” (EU/2004), aprovado em 2004, que busca o sucesso econômico na sociedade da informação, através da aceleração científica e tecnológica, com o desenvolvimento de soluções e produtos.
Como afirma a comissão do Green Gabinet,“O futuro está no conhecimento”, em um plano estratégico de sustentabilidade, desenvolvido pelo governo alemão, em 2001. Sendo que “O conhecimento só é encontrado nos seres humanos”(Lucci/2006), o investimento em capital humano é essencial e a “garantia de uma educação básica é a condição fundamental para a realização global de um desenvolvimento sustentado”. (Hauff/2002). Mas para que uma nação, possa desenvolver-se precisa de um equilíbrio fundamentado através de direcionamento de políticas e investimentos por parte dos governos, como também das empresas privadas, como afirma Peter Drucker, em seu livro Post-capitalist Society, “a questão central para o executivo moderno é a produtividade do conhecimento”, sendo assim, “as empresas perceberam que não basta apenas focar suas atenções nos clientes externos para alcançar o sucesso”. (Mazini/2006), destacando então os funcionários, de forma que estes agreguem valor à organização. E este investimento tanto por parte de países, como de empresas acontece, pois se “não derem atenção á Economia da Informação perderão condições de barganha, em termos de comércio e política”(Mattos/1983).
Os países que apresentarem resistência ou demorarem a aderir ao mundo do conhecimento, acabarão marginalizados economicamente, pois “seus custos internos se tornarão mais elevados e seus produtos não encontrarão mercados”. (Mattos/1983). Neste momento não podemos esquecer das palavras de Guerner, que adverte que “sempre entendemos o desenvolvimento como algo exclusivamente econômico, quando ele é, sobretudo sociológico e humano”(Schreiber/1980), o desenvolvimento da sociedade do conhecimento se dá através do aprimoramento dos recursos humanos sendo que “o fator primordial de todo desenvolvimento econômico é o desenvolvimento do próprio homem. O desenvolvimento afinal de contas, é primeiro um processo mental. Começa por uma atividade do espírito.”(Mattos/1983).

3. CONCLUSÃO
A sociedade do conhecimento faz com que sejam produzidas novas tecnologias, que originam mudanças econômicas, causando conseqüentemente grandes alterações sociais e políticas.
Isto não significa o desaparecimento dos fatores clássicos de produção, e sim estes, apenas serão levados a um segundo plano.
E antes desta nova sociedade tornar-se uma ameaça a países como o Brasil, a aplicação de métodos que aproveitem algumas características imanentes nossas, como a criatividade, a flexibilidade e a facilidade de adaptação, possam vir a colaborar para a inserção competitiva do Brasil, diminuindo a distância econômica deste para os demais países.

4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ASSUNÇÃO, Maria Aparecida de, http://usr.solar.com.br/~cida/gestaopessoasu4m3.htm
Acessado em 06/04/2006
CAVALCANTI, Marcos; GOMES, Elisabeth – A Sociedade do Conhecimento e a política Industrial Brasileira. http://portal.crie.coppe.ufrj.br Acessado em 06/04/2006
BANCO MUNDIAL, Conhecimento para o Desenvolvimento, Revista Inteligência Empresarial nº1, outubro de 1999, CRIE-COPPE/UFRJ, E-papers Editor, Rio de Janeiro.
CAVALCANTI, Marcos; GOMES, Elisabeth; PEREIRA – André Campus. Gestão de Empresas na Sociedade do Conhecimento. 2001
EU – UNIÃO EUROPÉIA. Programa Operacional da Sociedade do Conhecimento. http://www.posc.mctes.pt/?accao=paginaf&pag=pri3 Acessado em 06/04/2006
GREEN GABINET 2001 – Comissão de Secretários de Estado do desenvolvimento Sustentável (“Gren Gabinet”) – Plano estratégico nacional de sustentabilidade, 12/2001 – Relatório do Governo Alemão.
LUCCI, Elian Alabi – A Era pós-industrial, a Sociedade do conhecimento e a educação. Editora Saraiva.
HAUFF, Wolker – Revista Deutschland nº1, janeiro/fevereiro de 2002. Frankfurt.
DRUCKER, Peter – Post-capitalist Society, 1993, Harper Business. ISBN 0-7506-2025-0
MAZINI, Clara – O papel dos laços sociais entre funcionários na gestão do conhecimento. http://portal.crie.coppe.ufrj.br Acessado em 06/04/2006.
MATTOS, João Metello de – A sociedade do Conhecimento. Editora Universidade de Brasília, 1983.
SCHREIBER, Jean-Jacques Servan – O Desafio Mundial. Editora Nova Fronteira 1980.

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.