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A crise na conversa por e-mail, e a quebra do banco Lehmann Brothers

Um pouco de atenção e pequenas noticias que escapam na mídia, podem trazer contundentes fatos…a quebra do banco Lehmann Brothers foi um exemplo disto…a não identificação nos permite darmos conta de tantos impasses existentes na área econômica, assim como na ambiental, social entre outras…

Por Odair Deters

Costumo compartilhas algumas noticias que cato meio ao acaso na rede mundial de computadores com alguns amigos por e-mail, na maioria das vezes estes amigos, me consideram um alarmista, por outras até um pouco insano.

Normalmente quando menciono algo que os possa afeta-los, uma crise, uma falência, uma medida governamental, não querendo acreditar na noticia antecipada ou premeditada, acham por vezes melhor me classificar como principiante a demência.

No entanto esta semana que se passou retirei dos meus arquivos um e-mail enviado a mais de 1 ano e meio atrás, dito e-mail havia sido remetido a três ilustres amigos, um colega economista, um gerente de uma grande empresa, e um consultor de uma exportadora do Nordeste.

Na época estávamos no alvoroço da crise que afetava o mercado imobiliário americano, o mundo já se encontrava com os primeiros graves problemas da mesma, eram os tentáculos da nova crise se espalhando.

Neste ínterim a página de internet da agência Reuters, publicava sem muito alarde uma matéria com o seguinte título: “Ex-economista do FMI prevê colapso de grande banco nos EUA”. Havia os que duvidavam, pois a quebra de um banco causa efeitos diversos e o risco de uma corrida as demais instituições, que como é de conhecimento na economia, deste 1971, diante de pressões crescentes na demanda global por ouro, e a suspensão do sistema de Bretton Woods, cancelando a conversibilidade direta do dólar em ouro, os bancos nada mais tem do que dígitos em seus cofres, dinheiro fictício de uma alavancagem absurda.

O ex-economista-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI) Kenneth Rogoff afirmava que dentro de poucos meses um grande banco norte-americano iria entrar em colapso, com o aprofundamento dos problemas na maior economia do mundo. Que não veríamos apenas bancos de médio porte com problemas, e sim que veríamos um grande banco, um dos maiores bancos de investimento.

As palavras deste professor de Harvard, que esteve à frente do FMI de 2001 a 2004, foram tratadas como imprecisas pela grande maioria, com descrédito, quem sabe oriundo dos tantos problemas vinculados ao Fundo Monetário Internacional, embora alguns contestem.

No entanto, embora catastróficas e conspiracionistas as noticias e textos de economia por mim compartilhadas, não ficaram sem resposta, e aqui mais uma delas seguiu quase que ao pé da letra.

Aos mesmos amigos reencaminhei dito e-mail, dizendo lhes que a mesma havia se concretizado um mês após o envio, com a quebra do Lehmann Brothers em 22 de setembro de 2008, assim se ia, pedindo concordata, o quarto maior banco de investimentos dos Estados Unidos.

O Lehman Brothers era considerado um dos maiores operadores de empréstimos a juros fixos de Wall Street e havia investido fortemente em títulos ligados ao mercado do chamado “subprime”, o crédito imobiliário para pessoas consideradas com alto risco de inadimplência.

Não como glória da presunção, nem tampouco orgulho do acerto, questão esta que seria meramente do ego. Tido que isto custou às finanças de muitas pessoas e encaminhou de vez o mundo a uma grave crise, fiquei feliz com o retorno de um amigo letão que disse-me: “…tu já está me deixando preocupado com essas notícias…” Não sei se trazia um enaltecimento a momo com uma sátira ou seriedade, porém serviu mais uma vez para eu pudesse refletir acerca dos acontecimentos.

Atualmente temos experimentado as mais diversas catástrofes, sejam ambientais, climáticas, sociais ou econômicas, só que elas vêm como que comendo pelas pontas, nos encontrando na escuridão, e vêm de vagarinho sem que nos apercebêssemos do montante de acontecimentos que tem nos assolado ultimamente, nos vamos identificando, em ver um tornado nos céus, e vamos aceitando as mudanças ou claramente envolvendo minha área de estudo, vemos, um banco com problemas, uma região ou país em crise, e não nos damos conta que estamos presos numa onda enorme de probabilidades severas.

Essa nossa identificação gera estados equivocados, e nos impossibilita de vermos que estamos enredados com milhares e exorbitantes problemas econômicos, já seja em escala microeconômica ou macroeconômica. A adaptabilidade do ser humano está muito rápida, impossibilitando de ter resolução a todos estes problemas, pois está a usar o mesmo grau de consciência que o gerou.

Ah, tenho mais algumas noticias para enviar(risos).

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