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A CIBERNÉTICA NA SOCIEDADE DO CONHECIMENTO

Por Odair Deters

Após a elaboração do artigo “A Sociedade do Conhecimento”, me foi solicitado o incremento do assunto “Cibernética” naquele mesmo texto, que resultou neste novo artigo.

1.INTRODUÇÃO

A economia mundial vêm sofrendo mudanças constantes. A sociedade industrial passa a se tornar uma sociedade fundamentada no conhecimento. E esta nova sociedade gera novas teorias, como a da informação, da comunicação e da cibernética. Esta última estuda os sistemas autônomos e busca compreender a lógica ou mesmo as regras que regem as organizações dos mais diferentes sistemas, mostrando ser possível criar uma organização até mesmo em seres inanimados e dependentes do intelecto humano.
Esta sociedade já concebida altera os padrões estabelecidos e faz com que o conhecimento seja utilizado como forma de poder. Fazendo com que um dos grandes enfrentamentos da atualidade seja o de tornar as empresas cada vez mais competitivas, flexíveis e produtivas, mudando o eixo-econômico, buscando estabelecer a inclusão social e garantindo a sustentabilidade a nível global.
A nova sociedade valoriza o capital humano, mas com a cibernética ocorre o desenvolvimento de tecnologias que podem desalojar mão-de-obra. Como esta, muitas mudanças polêmicas se originam e fazem com que os seres humanos encarem um novo desafio que envolve mudanças sociais, com a formação da sociedade do conhecimento e a entrada da cibernética. Desafio este que é o de buscar um uso humano para o capital humano.

2.A NOVA SOCIEDADE E A CIBERNÉTICA

O Conhecimento humano levou milhares de anos para chegar à fase agrícola e milhares de anos depois à fase industrial, agora estamos vivendo um momento de revolução, o qual principia uma nova sociedade, regida pelo conhecimento e informação.
E esta nova sociedade que rompe tradições, regionalismos e culturas criando uma aldeia global, introduzindo novas teorias, dilemas, perspectivas e polêmicas. Entre as novas teorias aparecem os estudos sobre informação, comunicação e cibernética entre outros.
“As informações se multiplicam num ritmo tão intenso que é cada vez mais, impossível a qualquer pessoa, inclusive ao leitor mais voraz, ficar atualizado com tudo o que se publica.” (Bertges/2006) e faz com que lembremos aquele ditado que diz: “Quem troca dinheiro ou mercadoria ao final da operação tem a mesma quantidade de dinheiro ou mercadoria de forma diferente, mas quem troca uma informação, ao final da operação tem duas informações”, e assim passou a desenvolverem-se de forma extraordinária tecnologias voltadas à informação e comunicação, do qual o maior exemplo é a rede mundial de computadores – Internet, que “como se tivesse vida própria, seguiu à risca a lei das conseqüências não previstas. Surpreendeu ano a ano, todos os sistemas da nossa sociedade, imprimindo um ritmo se não totalmente novo ao menos estranho e incontrolável às esferas da política (local e global), da economia, das relações sociais, das “trocas” culturais, entre outras “(Paveloski/2006).
Estas novas concepções alteram o eixo-econômico e provocam profundas mudanças sociais, e “um dos grandes desafios da década é tornar as empresas cada vez mais competitivas, flexíveis e produtivas”.(Bertges/2006) Para isto é necessário dispor de informações que como tratou Paveloski, “é um dos pilares do momento em que vivemos”, a partir de então entra a cibernética, fundada por Norbert Wiener na metade do século XX, e que consiste no estudo dos sistemas autônomos.
Na busca por compreender a lógica ou mesmo as regras que regem as organizações dos mais diferentes sistemas, a cibernética mostrou ser possível criar uma organização até mesmo em seres inanimados e dependentes do intelecto humano.
“A cibernética é uma ciência nova que, como a matemática, aplica, corta transversalmente os entrincheirados departamentos da ciência natural: o céu, a terra, os animais e as plantas. Seu caráter interdisciplinar emerge quando considera a economia não como um economista, a biologia não como um biólogo, e as máquinas não como um engenheiro. Em cada caso, seu tema permanece o mesmo, isto é, como os sistemas se regulam, se reproduzem, evoluem e aprendem. Seu ponto alto é de como os sistemas se organizam” (Epstein/1973), complementando e esclarecendo, “a cibernética quando fala de organização leva em consideração, ao mesmo tempo, a desorganização, bebendo nesses conceitos a partir da idéia de entropia.” (Paveloski/2006). A entropia traduzida para o universo comunicacional por Norbert Wiener, pode ser considerada uma medida de desorganização. E conforme definiu o próprio Wiener, “ a cibernética é a ciência que estuda todo o campo de controle e da comunicação, seja na máquina, seja no homem. (Wiener/1968).
A cibernética enquadra o mundo através do processamento de informações, ou seja, sistematiza tudo, e “se caracteriza por enredar máquinas e organismos num mesmo discurso”. (Bennaton/1986), fazendo com que “hoje, o território da cibernética ficou imenso e embaralhado. Isto, sem sombra de dúvida, reflete sua definitiva inserção no modo de produção contemporâneo. Mas também traduz a importância dos homens de ciência em compreendê-la de fato” (Bennaton/1986), e desta forma cresce o estudo e o desenvolvimento, mas “uma coisa que não pode ser esquecida é o caráter interdisciplinar da cibernética. Desde sua origem ela tem se afirmado como ciência eclética, exatamente por crer na existência de unidade na natureza. Sem esta ousadia, que lhe está nas raízes, compromete-se todo seu desenvolvimento.” (Bennaton/1986).
Portanto, a cibernética não possui em particular um único tema de interesse, e sim se desdobra absorvendo todos os processos possíveis e “entre seus objetivos de investigação estão arrolados tanto os organismos, como as máquinas. Qualquer que seja a natureza e a circunstância destes objetos, cujo estudo cabe a outras especialidades, ela os trata sempre de modo indistinto.” (Bennaton/1986). Ela tem se tornado a chave para o desenvolvimento de novas tecnologias, e aí reside o ponto de polêmica.
A substituição da ação humana pela das máquinas, desobrigando o elemento humano dos trabalhos possivelmente desagradáveis, mas obrigando o mesmo a deixar um trabalho a que tinha tanto direito como necessidade, devido à eficiência da máquina introduzida.
Conforme Bennaton indaga: em sua obra “O que é cibernética”. “A conclusão é que, em tese, uma máquina é capaz de resolver qualquer problema algoritmizável. Sobra indagar se existem problemas que não o são, isto é, problemas para os quais não existe receita conduzindo à sua solução.” e ainda complementa. “É fato que as máquinas desalojam mão-de-obra. Mas seria um total contra-senso privarmonos do seu uso por causa disto.”
Da mesma forma Servan Schreiber declara: “Ela foi feita para libertar as pessoas de todas as tarefas que lhe são opressivas. Adverte, também, que devemos reconhecer que se os homens não estão preparados para a utilização destas novas tecnologias e, por conseguinte, elas são mal utilizadas, as conseqüências podem se tornar graves ou até mesmo patológicas.” Assim está notoriamente a dualidade da nova sociedade em choque.
O conhecimento e a tecnologia desenvolvida fazem com que seja incapaz de se estar informado sobre tudo o que se produz em qualquer que seja a área.
Em sua publicação virtual Bertges comenta: “Estamos vivendo um mundo de controle de estoques imediato, transferência eletrônica de fundos, resultados das vendas e situações de clientes on-line, comércio programado, os computadores das empresas fazendo pedidos entre si, e a automação de muitas decisões.”
E assim se pode controlar a demanda, e nas suas variações, prepararem a rede de suprimentos para o adequado atendimento.
Fazendo com que a necessidade da “informação e o uso da tecnologia são fundamentais para o progresso das empresas” (Cavalcanti; Gomes; Pereira/2001). Mas como destaca Paveloski: “Como toda revolução no seio da sociedade, apresentou-se também como uma lupa para ampliar nossas mazelas, dificuldades, preconceitos, injustiças. Mostrou-nos nossos problemas, inclusive relacionados a ela mesma, Internet, com a exclusão digital.”
O uso da tecnologia nesta sociedade do conhecimento, origina mudanças econômicas, causando grandes alterações sociais e políticas. “Estamos vivendo uma época toda especial. A velocidade das informações é incrível, tudo muda toda hora, nada é constante, essa evolução está longe de atingir o seu limite.” (Bertges/2006).
Está sociedade já concebida que valoriza o capital humano, mas que ao mesmo momento pode descartá-lo renegando-lhe alocação, destina um futuro que pode ser descrito, mas ainda não garantido.

3. CONCLUSÃO

As utilizações inteligentes da informação e da tecnologia tornaram-se fatores de diferenciação. E a cibernética como ciência que estuda todo o campo de controle da comunicação, tanto na máquina quanto no homem, torna explicitas as leis que governam o comportamento dos sistemas, sejam eles de natureza elétrica, orgânica, geológica, econômica, social e assim por diante, sistematizando tudo através do conhecimento, sendo assim um campo de destaque na nova sociedade.
Estamos em um processo de transformação, porém é difícil ver uma revolução quando se está no meio dela. Estamos em uma revolução que diz respeito ao trabalho da humanidade. Fábricas automatizadas, canais de distribuição e serviços com redes de computadores interligadas, causarão implicações sociais grandes.
Porém podemos estar assegurando aos seres humanos, o que buscava o fundador da cibernética, Norbert Wiener, que é garantir o uso humano dos seres humanos.

3.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BENNATON, Jocelyn. O que é Cibernética. Coleção Primeiros Passos. São Paulo: Editora Brasiliense, 1986.
BERTGES, Luiz Antonio. A tecnologia da Informação. Disponível em: http://www.powerline.com.br/~bertges/livro_i.htm Acessado em: 23 de maio de 2006.
CAVALCANTI, Marcos; GOMES, Elisabeth; PEREIRA, André Campus. Gestão de Empresas na Sociedade do Conhecimento. 2001
DE MATTOS, João Metello. A Sociedade do Conhecimento. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 1983.
EPSTEIN, Isaac (org.). Cibernética e comunicação. São Paulo: Cutrix, 1973.
PAVELOSKI, Alessandro. Subsídios para uma teoria da comunicação digital. Disponível em: http://bocc.ubi.pt/pag/_texto.php3?.html2=paveloski-alessandro-teoria-comunicacao-digital.html Acessado em: 23 de maio de 2006.
SCHEIBER, Jean-Jacques Servan. O Desafio Mundial. pág. 257 – Editora Nova Fronteira,1980.
WIENER, Norbert. Cibernética e sociedade: O uso humano de seres humanos, São Paulo: Cultrix, 1968.

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